Ainda que os raios-de-sol tocassem o fim do túnel, eu levaria uma eternidade para abrir os olhos. Acharia uma forma de calar os sentidos; da luz ao breu, da ternura ao frio. Faria sem hesitar, uma vez que o caos tornara-se parte de mim. E assim, embriagado da própria cegueira, urgiria a construção da fogueira, cuja lenha custaria-me o ofício de andar pela escuridão.
Quem sabe um dia - depois de uma vida e meia - eu não chegue a conclusão de que nunca lembrei de abrir os olhos e aquela penumbra era na verdade obra minha? Que não seja póstuma, espero eu.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Refugere porque é um refúgio. Refúgio de quê ou quem, não sei exatamente; o importante é que ele existe e está aqui vagando entre as ruínas da minha mente. Move-se constantemente para não dar chance ao colapso. Volta e mantém-me gente, antes que eu tenha um lapso. Serve-me de abrigo, uma vez que em seu interior há paz, fluido fundamental carente de vazios e imperfeições. É, portanto, refúgio - meu, seu e nosso - a chance de decompor em palavras a tímida existência.
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